sexta-feira, 28 de maio de 2010

PRISCILA

Priscila, menina moça com seus 17 anos de idade, já tinha seu corpo todo desenvolvido, resultando nas mais desejadas formas. Após descobrir os interesses expressados nas ruas pelos homens, em relação as suas formas, passou a usar roupas que deixassem suas curvas à mostra.


Foi com uma roupa destas que saiu naquela tarde ensolarada bragantina. Foi direito para a praça central. Desceu do ônibus rapidamente para ninguém perceber seu meio de locomoção, depois foi caminhando calmamente pela calçada, escutando “elogios” e diversos assovios. Na frente do prédio San Marino, resolveu fazer uma parada estratégica, decidiu abrir uma bala, mas esta caiu no chão, com categoria e retaguarda, virada para a rua, abaixou para pegá-la, e foi neste momento que escutou metade de um “fiiiiiiiiiu fi.’ seguido de um estrondo.

Este fiu fiu veio de Betão, garotão, ou pelo menos se achava, tinha 39 anos de idade, beirava os quarentão, mas, se vestia e se comportava como se tivesse 20 anos de idade, praticava musculação todos os dias dentro do próprio quarto. Se achava muito esperto, pois desenvolvia suas próprias técnicas de levantamento de peso. Se filmava com sua câmera fotográfica e postava o vídeo no youtube o modo como adquira seus musculos. “Se achava” o garanhão, com a testosterona em ebulição, e não deixava passar despercebida nenhuma mulher na rua. Atirava para todos os lados.

Quando Betão soltou o assobio, e como nem chegou a ser proferido completamente, foi interrompido pelo carro da frente, este que parou devido ao trânsito, e recebeu a pancada por traz do Gol quadrado, branquinho, com par de dados de pelúcia, cor de rosa, dependurados no retrovisor do carro do Betão, que tinha pago somente 18 das 36 parcelas do refinanciamento deste carro. Tinha feito esta divida para comprar um equipamento de som potente para o seu porta-malas. Afinal, alguém tinha que garantir o barulho no Lago do Taboão. Suas próximas economias eram para colocar um “turbo” no motor. Sonhava com o barulho “tchhhhhhhhhhhhhhhhhuiuuuuuuuuuuuuu” ao mudar de marcha. Com a batida soltou em alto e bom som um:

- Putxjahdyg@riu!!!!

Saiu do carro desesperado, aos berros e motorista do carro da frente inconformado com a falta de educação de Betão não se intimidou com seu porte físico e também gritou:

- Que é isso Boy!!??? Além de bater no meu carro, vem com o “pé no peito”? Tu vai te que pagar, mano! E foi logo anotando a placa do carro do Betão, que não ficou quieto:

- Como assim? Você para de repente esta porcaria na minha frente e quer que eu faça milagres?

- Claro, como você, neste carro brega, com estes dados horríveis dependurados no retrovisor e este som no talo iria perceber que o transito parou?

Neste momento Betão virou o Huck, foi a maior de todas as ofensas, ficou verde e partiu para cima de Luizinho. Já havia vários curiosos em volta da discussão e foram contidos por eles quando partiram para a briga física, ate que alguém disse:

- Fica calmo, o seu seguro vai pagar tudo?

Seguro? O orçamento contado não dava para pagar isso não. Nunca nem pensou em ter mais este gasto. Neste momento resolveu ficar quieto, baixar a bola.

Betão percebeu então o quanto estava enrascado. A policia chegou e o informou melhor de tudo dizendo que além do prejuízo do próprio carro, terá que pagar o conserto do carro do Luizinho, pagar o guincho para liberar o carro e isso se a documentação estiver em ordem.

Depois de tudo, viu seu carro indo embora sendo puxado pelo Guincho, Luizinho conseguiu ir dirigindo seu carro, a lateral traseira amassada não afetou muita coisa. Todos teriam que ir para a delegacia. Pegou uma carona no carro dos policiais e quando passava em frente a sorveteria do japonês, escutou um “ Pissssssssssssiu”, quando olhou, era Priscila lhe fazendo um tchauzinho e mandando um beijinho com a ponta dos dedos acompanhado de uma piscadela.

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