As Capivaras estão se multiplicando mais que coelho no Lago do Taboão de Bragança Paulista. Estão levando uma vida de estrela. Pessoas posam ao lado delas, tiram fotos, tiram um pãozinho amanhecido escondido da bolsa e tem gente que vai ao Lago só para vê-las. Já vi turistas parando o carro do outro lado para conferir.
A notícia tem se espalhado tanto, que já chegou nas diversas granjas de porcos da região. Luizinho é um dos porcos mais velhos de uma granja famosa daqui de Bragança e junto com outros dois líderes, ao saberem da notícia e imaginarem como deveria ser a vida de “pop star” bem próximo de casa, resolveram planejar uma fuga. Luizinho foi o escolhido para verificar, primeiramente, se o que estavam falando era verdade.
Estavam cansados de ouvir os porcos que chegavam de caminhão de outras granjas e que passavam pelo Lago do Taboão, relatarem a vida de sombra e água fresca das Capivaras. Elas podiam tentar fazer e ter quantos filhos quisessem, eram livres para transitarem nos meios dos homens, visitarem outros lagos e serem admiradas e respeitadas (isso é muito importante).
Um desses porcos viajante, um dia disse que a única coisa que eles não deveriam ter era vacina e tinham que conviver com as “sanguessugas” dos carrapatos. Soube também que as capivaras estavam planejando que, em breve, ao dominarem o território, controlariam a ida dos homens por lá, pois, afinal de contas, estavam incomodadas com aquele vai e vem que lhes tiravam a privacidade.
Então, Luizinho foi para a missão! Fez questão de chamar a atenção de seu dono para que ele lhe escolhesse para o próximo carregamento. O Plano era o seguinte: todos os outros porcos, durante a viagem, teriam que lhe dar licença e deixá-lo ficar perto da porta do caminhão. Quando chegasse perto da Praça Nove de Julho, todos ajudariam a empurrar a porta até que ela estourasse e então, somente ele, escaparia. Se esse plano não desse certo, todos tentariam jogá-lo por cima do caminhão e lá se foram. Depois de solto iria ao encontro das Capivaras e ofereceria uma parceria, isso tudo antes de ser capturado novamente, mas estava fora do peso e o resto da história o Bragança-Jornal contará para vocês:
http://www.bjd.com.br/detalhe_noticias.php?codigo=32989
sexta-feira, 30 de abril de 2010
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Adubo para as plantinhas
Quando eu era ainda uma pequena menina (isso foi na primeira metade dos anos 80), ainda passavam carroças na minha cidade e principalmente no meu bairro que ficava próximo a rodoviária. Bem, vocês devem estar pensando o que tem a ver as carroças com a rodoviária, né? Será que o meio de transporte municipal era feito por charretes? Não, é que perto da rodoviária fica o mercado municipal e o centro da cidade. Mas, além disso, o bairro em que eu morava ficava próximo ao final da cidade, perto do limite entre a zona urbana e zona rural. Nossa, hoje em dia naquele bairro fica no centro da cidade e distante da zona rural tamanho o crescimento.
Enfim, eu morava na rua do atual prefeito da cidade na atualidade e o povo do sítio vinha de charrete, em regra, o alazão puxando o marido, a mulher e cinco filhos atrás.
Nesta cidade os bairros são feitos de morros e como não podia ser diferente, o bairro que residia era uma das maiores montanhas da onde se avistava uma parte do centro da cidade. Se o centro não fosse uma montanha, daria para avistar o restante também. Achava engraçado o cavalo descendo a rua de casa, claro, uma ladeira, parecia que descia rebolando as ruas de paralelepípedo, às vezes até escorregava nas pedras, neste momento tinha pena do cavalo, ainda mais porque o jegue que estava em cima nem mudava sua expressão, continuava mascando seu capim, dando chicotadas e pensando na morte da bezerra. Mais engraçado mesmo era quando o cavalo entre uma rebolada e outra levantava seu rabo e liberava aquelas bolotas verde musgo e que não se desfaziam ao cair no chão. Morria de rir, risos puros de criança.
Lembro que tinha um casal que sempre que vinha para a cidade de charrete, aproveitavam para trazer umas verduras e legumes de sua horta, quando se encomendava trazia também frango caipira (vivo) e ovos. O homem sentado encima da charrete, pensando na morte da bezerra e aguardando a próxima ordem da patroa que descia a ladeira batendo de porta em porta oferecendo seus produtos e assim, faziam um dinheirinho antes de irem para a cidade. ( Naquele tempo, até nós que morávamos na cidade falávamos: “vamos para cidade hoje?”, querendo dizer: “vamos para o centro da cidade hoje?”. Era engraçado como as mulheres da rua se reuniam para conversar sobre o casal depois que partiam.
Naquela época noventa por cento das mulheres eram donas de casa, tinham tempo para ficar papeando na rua e tinham certeza de que nós crianças não estávamos entendendo nada do que elas conversavam. Imaginavam e comentavam como deveria ser a vida daquele casal, como ela mandava nele e deveriam fazer o mesmo em casa, como nunca tinham ouvido a voz dele e como ela falava pelos cotovelos e como só ela lidava com o dinheiro. Até um dia em que ela veio sozinha para a cidade e perguntaram para ela porque seu marido não tinha vindo e ela disse: - quem? meu irrrmão? Ahhh, ele ta custipado... Neste momento todas se entreolharam e seguraram o riso. Este casal, foi à única charrete que continuou passando na rua até a alguns anos atrás, afinal, tinham além de transporte, um comércio.
Comecei não achar mais divertido ficar sentada na calçada vendo a charrete passar, porque toda vez que iam embora e as bolotas ficavam lá na rua, verdinha, tinindo, exalando seu cheiro e ainda em sua forma original, minha mãe pedia para eu ir disfarçadamente com a “pazinha” de lixo da cozinha ir pegar as catotinhas, a merda, o esterco, o adubo para as plantinhas.
Torcia para que ninguém visse, principalmente meus amigos, ia correndo e voltava correndo, perdendo umas bolotas no caminho. Minha mãe garantia que não tinha nada de mais em minha atitude, mas ria, até o dia que decidi que nunca mais cataria merda na minha vida.
Enfim, eu morava na rua do atual prefeito da cidade na atualidade e o povo do sítio vinha de charrete, em regra, o alazão puxando o marido, a mulher e cinco filhos atrás.
Nesta cidade os bairros são feitos de morros e como não podia ser diferente, o bairro que residia era uma das maiores montanhas da onde se avistava uma parte do centro da cidade. Se o centro não fosse uma montanha, daria para avistar o restante também. Achava engraçado o cavalo descendo a rua de casa, claro, uma ladeira, parecia que descia rebolando as ruas de paralelepípedo, às vezes até escorregava nas pedras, neste momento tinha pena do cavalo, ainda mais porque o jegue que estava em cima nem mudava sua expressão, continuava mascando seu capim, dando chicotadas e pensando na morte da bezerra. Mais engraçado mesmo era quando o cavalo entre uma rebolada e outra levantava seu rabo e liberava aquelas bolotas verde musgo e que não se desfaziam ao cair no chão. Morria de rir, risos puros de criança.
Lembro que tinha um casal que sempre que vinha para a cidade de charrete, aproveitavam para trazer umas verduras e legumes de sua horta, quando se encomendava trazia também frango caipira (vivo) e ovos. O homem sentado encima da charrete, pensando na morte da bezerra e aguardando a próxima ordem da patroa que descia a ladeira batendo de porta em porta oferecendo seus produtos e assim, faziam um dinheirinho antes de irem para a cidade. ( Naquele tempo, até nós que morávamos na cidade falávamos: “vamos para cidade hoje?”, querendo dizer: “vamos para o centro da cidade hoje?”. Era engraçado como as mulheres da rua se reuniam para conversar sobre o casal depois que partiam.
Naquela época noventa por cento das mulheres eram donas de casa, tinham tempo para ficar papeando na rua e tinham certeza de que nós crianças não estávamos entendendo nada do que elas conversavam. Imaginavam e comentavam como deveria ser a vida daquele casal, como ela mandava nele e deveriam fazer o mesmo em casa, como nunca tinham ouvido a voz dele e como ela falava pelos cotovelos e como só ela lidava com o dinheiro. Até um dia em que ela veio sozinha para a cidade e perguntaram para ela porque seu marido não tinha vindo e ela disse: - quem? meu irrrmão? Ahhh, ele ta custipado... Neste momento todas se entreolharam e seguraram o riso. Este casal, foi à única charrete que continuou passando na rua até a alguns anos atrás, afinal, tinham além de transporte, um comércio.
Comecei não achar mais divertido ficar sentada na calçada vendo a charrete passar, porque toda vez que iam embora e as bolotas ficavam lá na rua, verdinha, tinindo, exalando seu cheiro e ainda em sua forma original, minha mãe pedia para eu ir disfarçadamente com a “pazinha” de lixo da cozinha ir pegar as catotinhas, a merda, o esterco, o adubo para as plantinhas.
Torcia para que ninguém visse, principalmente meus amigos, ia correndo e voltava correndo, perdendo umas bolotas no caminho. Minha mãe garantia que não tinha nada de mais em minha atitude, mas ria, até o dia que decidi que nunca mais cataria merda na minha vida.
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