É o “seguinte”: Seu João, gente boníssima de um bairro nobre da cidade, indo contra maré de seus amigos, não abriu mão de sua nostalgia e era decidido a não se mudar para um Condomínio Fechado. Era tachado como louco por seus antigos vizinhos que diziam:
- Seu João, sua família merece segurança, conforto, este bairro não é mais como era antes, continuaremos vizinhos no mesmo condomínio fechado, em outro lugar.
- Não! Dizia Seu João. Tradicionalista e corretíssimo acreditava na segurança do poder público, no direito de exigir segurança que paga com muito custo, através dos impostos mensais. Se já paga tantos impostos, porque teria que pagar, também, para ter segurança em um condomínio fechado? Ficou decidido, segurança não era sua obrigação, além do mais, foi ali, naquele bairro, que viu seus filhos crescerem sem preocupações, e será ali, que irá soltar pipa com seus netos.
Os amigos acham que ele, um senhor tão inteligente, vive em um mundo utópico para os dias de hoje, mas, ele não era o único que permanecia naquele bairro. Não se tem mais paz, atualmente, pelo menos uma vez por semana há pequenos e grandes assaltos.
Aí vocês me perguntam: “cadê o Justipa?” Então, o SEU JOÃO, resolveu fazer um puxadinho na sua casa, já que não mudaria de casa, iria investir na área de lazer. Ë isso ai, achava que seu imóvel valeria mais na hora de uma inevitável venda, quando na realidade, os imóveis só estavam desvalorizando naquela região por conta dos assaltos.
Ai,ai,ai,ai,ai, o Justipa, né? Então, para “levantar o puxadinho”, hehe, “levantar o puxadinho”, o Seu João, contratou três pedreiros para a mão de obra através de um empreiteiro, mas, fazia questão de selecionar, ele mesmo, quem entraria dentro sua casa para trabalhar. Assim, pediu para que levasse na sua casa os candidatos para uma entrevista e entre os três estava “tchararam!!!!!!” O JUS-TI-PA!!!!
Seu João começou com a entrevista e o primeiro a ser questionado foi o Justipa:
- Seu nome? Questionou seu João.
- Justipa?
- O que? “Tá” resfriado?
- Não, não “to custipado”!
- Seu nome, como é?
- JUS – TI – PA! Ouviu agora?
- Aaaaah, o seu nome é Justipa? Mas, não é apelido não?
- Não, minha mãe colocou esse nome mesmo, mas ela nem lembra porque, não lembra nem de ter ido no cartório. Disse o pedreiro conformado.
- E o nome da sua mãe? Perguntou seu João continuando a entrevista.
- É mãe.
Com paciência Seu João perguntou, - como se chama a sua mãe?
- Mãe, ora.
Sem paciência o Seu João questionou:
- nome é Maria, Joana, Aparecida, qual é o dela?
Justipa demonstrou que também não tinha muita paciência:
- É mãe, eu já disse, mãe é mãe, ela nunca disse o nome dela.... É mãe!
Melhor seria mudar de pergunta, então seu João continuou:
- Onde você mora?
- Na minha casa,... onde eu durmo. Disse o Justipa. Nessa hora o seu João perdeu a cabeça de vez e informou a todos:
- Amanhã vocês voltam, tenho que ir embora. E essa foi a primeira vez que o Seu João perdeu a paciência com a obra.
No final da tarde, mais calmo, seu João ligou para o empreiteiro e considerou a inocência de Justipa, que sem dúvida era sincera, uma qualidade. Assim, disse ao empreiteiro que o Justipa estava contratado.
Como seu João era de bom coração, decidiu que iria ajudá-lo e em uma semana de trabalho do Justipa, era ele quem mais chamava o “Seu Jão” para uma prosa.
Quando seu João pediu os documentos ao Justipa para qeu pudesse fazer seu registro, descobriu que ele nunca havia providenciado um Título de Eleitor, ou CPF, que era analfabeto com 29 anos de idade e resolveu que tomaria conta disso tudo para ele. Foi assim, que seu João conheceu mais um pouco da história da vida dele, os tipos de dificuldades. E foi assim também, que seu João descobriu o quanto lhe fazia bem fazer o bem por alguém e Justipa não teve onde guardar tanta felicidade, pois era a primeira vez em toda a sua vida, que alguém se preocupava com ele.
Ana Roberta
quarta-feira, 12 de maio de 2010
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